Aventura na Cordilheira dos Andes com uma Honda Twister 250.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Entre os dias 16 a 24 de fevereiro de 2011, Luciano Corrales percorreu mais de 5 mil Km para subir a Cordilheira dos Andes com uma moto pequena, carburada e chegar até a fronteira com a Bolívia.

Saindo de Gravataí (RS), o primeiro destino seria Mercedes (AR), há 928 Km do ponto de partida. A moto, uma Honda CBX 250 Twister, já estava com mais de 80.000 Km rodados, estando mais propensa a apresentar problemas mecânicos.

Em Uruguaiana, após os trâmites (carta verde, visto, troca de óleo), Luciano seguiu viagem sob chuvas torrenciais e vento forte do pampa correntino (ruta 123 e ruta 12) e com muitos animais cruzando a pista. As autopistas são repletas de incorreções e quando chove, tornam-se armadilhas mortais; primeiro por que a pista foi construída no mesmo plano do campo e isso provoca rápidos alagamentos em momentos de chuva; segundo, pelo grande fluxo de caminhões com cargas pesadas que criam sobre cada mão da pista, dois corredores por onde passam seus pneus, aumentando em muito o risco de aquaplanagem. Uma carreta rodando a uns 130 Km/hora trouxe um vácuo carregado de água que arremessou Luciano para fora da pista, fazendo-o entrar campo adentro, cair e ficar com o guidão da moto torto, mas sem nenhuma lesão.

Após chegar em Mercedes a próxima etapa era até El Quebrachal, ainda na Argentina, para percorrer mais 821 Km. Uma das maiores dificuldades, além das condições precárias do pavimento, é a pouca quantidade de postos para abastecimento. Para chegar até o destino, Luciano precisou usar um galão extra de gasolina durante o trajeto. Para agravar a situação, a moto apresentou um problema de carburação que exigiu a intervenção de Luciano e um atraso na viagem, sem contar um erro de trajeto que o fez percorrer 50 Km em direção errada. A pista estava em obras e sem sinalização apropriada.

Superadas as dificuldades, o terceiro trajeto seria de El Quebrachal até Salta (AR) com 1.171 metros de altitude, que já foi uma sede do famoso rallys Dakar. Seriam mais 300 Km. É lá que se encontra o famoso trem a Lãs Nubes (trem das nuvens) que percorre montanhas chegando a mais de 4.000 de altitude até San Antonio de Los Cobres. O trem está atualmente desativado devido aos desbarrancamentos ocorridos recentemente. Também existe um teleférico que chega a 1.454 de altitude.

Depois de Salta a próxima parada seria em San Salvador de Jujuy (AR), a apenas 95 Km de distância. À noite, Luciano pode participar de uma festa de Carnaval Jujuyeno, com gosto de cultura Incaíca, onde o povo acompanha um bloco que passa. Na oportunidade, se reuniram umas vinte mil pessoas.

Depois de San Salvador de Jujuy, Luciano se deslocou até Abra Pampa por mais 400 Km e alcançou pela primeira vez o cenário das montanhas, inigualável. Mas, acabou acometido do chamado Mal de Puna (saroche), que faz o nariz sangrar e causa tonturas.

Recuperado, Luciano experimentou a folha de coca, muito barata por sinal, de uso comum na região, que amenizou bastante o mal. No restante da viagem, o motociclista só sentia tonturas quando parava, enquanto rodava com a moto ficava bem.

Em Abra pampa Luciano passou por um dos momentos mais tensos e perigosos de toda esta aventura. Um carro com quatro elementos passou a segui-lo. O motociclista entrou em um vilarejo para tentar despistá-los, mas eles continuavam a persegui-lo. Em um beco, de um metro de largura aproximadamente, pelo qual só passavam transeuntes e bicicletas, Luciano cruzou com a moto e conseguiu deixá-los para trás, acelerando forte para voltar para Jujuy, antes passando pela Cordilheria, e chegando em Purmamarca. A próxima escala seria em San Miguel de Tucumán.

Logo que se instalou em Tucumán, Luciano ouviu um estranho ruído. Chovia forte e estava escuro. Ele olhou pela janela e viu pessoas correndo, sem entender o por quê. Após alguns instantes percebeu que estava acontecendo um terremoto e teve muito medo, pois lembrou imagens de TV com o povo desesperado nas ruas, saques, roubos, etc. Como não sabia a proporção do desastre, decidiu juntar suas coisas e seguir viagem.

Luciano desceu o altiplano e voltou para El Quebrachal, indo no dia seguinte para Paso de los Libres, mais 948 Km. De lá, retornou para o Brasil, novamente sob muita chuva.

Esta aventura foi uma grande prova de resistência física, de superação de dor, fome e fadiga, mas ficou a certeza de que é a mente que conduz o corpo e não o contrário. As belas paisagens da montanha e a Cordilheira estarão sempre vivas na lembrança de Luciano.

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