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Aventura na Cordilheira dos Andes com uma Honda Twister 250.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Entre os dias 16 a 24 de fevereiro de 2011, Luciano Corrales percorreu mais de 5 mil Km para subir a Cordilheira dos Andes com uma moto pequena, carburada e chegar até a fronteira com a Bolívia.

Saindo de Gravataí (RS), o primeiro destino seria Mercedes (AR), há 928 Km do ponto de partida. A moto, uma Honda CBX 250 Twister, já estava com mais de 80.000 Km rodados, estando mais propensa a apresentar problemas mecânicos.

Em Uruguaiana, após os trâmites (carta verde, visto, troca de óleo), Luciano seguiu viagem sob chuvas torrenciais e vento forte do pampa correntino (ruta 123 e ruta 12) e com muitos animais cruzando a pista. As autopistas são repletas de incorreções e quando chove, tornam-se armadilhas mortais; primeiro por que a pista foi construída no mesmo plano do campo e isso provoca rápidos alagamentos em momentos de chuva; segundo, pelo grande fluxo de caminhões com cargas pesadas que criam sobre cada mão da pista, dois corredores por onde passam seus pneus, aumentando em muito o risco de aquaplanagem. Uma carreta rodando a uns 130 Km/hora trouxe um vácuo carregado de água que arremessou Luciano para fora da pista, fazendo-o entrar campo adentro, cair e ficar com o guidão da moto torto, mas sem nenhuma lesão.

Após chegar em Mercedes a próxima etapa era até El Quebrachal, ainda na Argentina, para percorrer mais 821 Km. Uma das maiores dificuldades, além das condições precárias do pavimento, é a pouca quantidade de postos para abastecimento. Para chegar até o destino, Luciano precisou usar um galão extra de gasolina durante o trajeto. Para agravar a situação, a moto apresentou um problema de carburação que exigiu a intervenção de Luciano e um atraso na viagem, sem contar um erro de trajeto que o fez percorrer 50 Km em direção errada. A pista estava em obras e sem sinalização apropriada.

Superadas as dificuldades, o terceiro trajeto seria de El Quebrachal até Salta (AR) com 1.171 metros de altitude, que já foi uma sede do famoso rallys Dakar. Seriam mais 300 Km. É lá que se encontra o famoso trem a Lãs Nubes (trem das nuvens) que percorre montanhas chegando a mais de 4.000 de altitude até San Antonio de Los Cobres. O trem está atualmente desativado devido aos desbarrancamentos ocorridos recentemente. Também existe um teleférico que chega a 1.454 de altitude.

Depois de Salta a próxima parada seria em San Salvador de Jujuy (AR), a apenas 95 Km de distância. À noite, Luciano pode participar de uma festa de Carnaval Jujuyeno, com gosto de cultura Incaíca, onde o povo acompanha um bloco que passa. Na oportunidade, se reuniram umas vinte mil pessoas.

Depois de San Salvador de Jujuy, Luciano se deslocou até Abra Pampa por mais 400 Km e alcançou pela primeira vez o cenário das montanhas, inigualável. Mas, acabou acometido do chamado Mal de Puna (saroche), que faz o nariz sangrar e causa tonturas.

Recuperado, Luciano experimentou a folha de coca, muito barata por sinal, de uso comum na região, que amenizou bastante o mal. No restante da viagem, o motociclista só sentia tonturas quando parava, enquanto rodava com a moto ficava bem.

Em Abra pampa Luciano passou por um dos momentos mais tensos e perigosos de toda esta aventura. Um carro com quatro elementos passou a segui-lo. O motociclista entrou em um vilarejo para tentar despistá-los, mas eles continuavam a persegui-lo. Em um beco, de um metro de largura aproximadamente, pelo qual só passavam transeuntes e bicicletas, Luciano cruzou com a moto e conseguiu deixá-los para trás, acelerando forte para voltar para Jujuy, antes passando pela Cordilheria, e chegando em Purmamarca. A próxima escala seria em San Miguel de Tucumán.

Logo que se instalou em Tucumán, Luciano ouviu um estranho ruído. Chovia forte e estava escuro. Ele olhou pela janela e viu pessoas correndo, sem entender o por quê. Após alguns instantes percebeu que estava acontecendo um terremoto e teve muito medo, pois lembrou imagens de TV com o povo desesperado nas ruas, saques, roubos, etc. Como não sabia a proporção do desastre, decidiu juntar suas coisas e seguir viagem.

Luciano desceu o altiplano e voltou para El Quebrachal, indo no dia seguinte para Paso de los Libres, mais 948 Km. De lá, retornou para o Brasil, novamente sob muita chuva.

Esta aventura foi uma grande prova de resistência física, de superação de dor, fome e fadiga, mas ficou a certeza de que é a mente que conduz o corpo e não o contrário. As belas paisagens da montanha e a Cordilheira estarão sempre vivas na lembrança de Luciano.

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Jerre Aventura - Viagem a Rolante / RS muita aventura, vinho e cucas.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Mais uma vez na estrada. Eu já estava rodando por Santo Antonio e liguei para o Sr. Paulo convidando-o se gostaria de ir para Rolante/RS. Combinamos para nos encontrarmos no outro dia cedo. Cidade esta que fica a somente 100 km de Porto Alegre/RS. Uma cidade com muita tranquilidade de colonização alemã e italiana que reservas algumas surpresas. Muitos dirão que já a conhecem, mas ao final desta matéria, me responda: Conhece mesmo?


Bom, no outro dia, quando estava me dirigindo para encontrar o Sr. Paulo no pórtico de entrada da cidade, um “probleminha”.

A corrente da moto fazia barulho demais. Parei e constatei que estava com somente um lado do elo de ligação da corrente. Como não tinha reserva, toquei os próximos 20 km na boa, tranquilo. Já na entrada da cidade uma oficina de motocicletas e problema resolvido. Bagagens no hotel Savady, recém inaugurado na cidade e rua. Almoçamos cedo, 11hs, pois queríamos fazer o “Caminho das Pipas”. Estava uma terça–feira feia, nublada.

Rolante/RS esta a uma altitude de 38m do nível do mar e tem em torno de 20.000 hab. Você pode começar seu Tour já pelo centro, em uma caminhada tranquila, deixando a aventura para a segunda etapa, pois irás percorrer o interior, em estradas de chão batido em bom estado de conservação. A sinalização dos pontos turísticos também esta excelente.

Dicas centrais:

Estátua do Teixeirinha

Um dos seus cidadãos mais ilustres, Vítor Mateus Teixeira, mais conhecido como “Teixeirinha” nasceu em Rolante e tem uma estátua na Praça Matriz, sendo um marco histórico para a cidade e para o estado.

Casa da Colônia

Aberta diariamente, bem em frente à Prefeitura. Produtos artesanais das produções rurais do município.

Igreja Nossa Senhora Imaculada Conceição

Bem centro da cidade, imponente, ponto de referência, pois está no entroncamento das duas principais ruas da cidade.

Caminho das Pipas

A partir do momento que você se dirigir a esta rota, estará pegando chão batido, com muito verde e arvores frutíferas ao longo da estrada. As dicas a seguir você poderá fazer todas no mesmo roteiro.

São sete cantinas de vinhos e produtos, onde se tem contato com a rusticidade da colônia. Fica na localidade de Boa Esperança, onde a cultura italiana e o conhecimento da técnica de elaboração de vinhos e dos produtos como pães, cucas, salames, queijos e doces como schmiers e geleias feitos pelos moradores você poderá experimentar e comprar.

Começamos pelos Vinhos Finger, onde fomos recepcionados pelo próprio Sr. Finger. Mostrou-nos como era feita a elaboração de seus vinhos e convidou-nos a degustar um dos seus. Agradecemos e ficamos somente no suco, excelente, por sinal. Duro foi recusar a “copa”, pois estávamos ainda fazendo a digestão do almoço. Nossa próxima parada foi no Vinhos Bennato e Vinhos D´Boa Esperança. Nossa parada foi mais demorada no Bennato, onde fomos recepcionados por sua esposa. Uma coisa que acho extremamente interessante nestas aventuras é poder experimentar novos sabores. Com este pensamento fui experimentar “crem”. Sr. Paulo só me olhava e ria. Caramba, é fortíssimo.

Crem é usado como condimento. Estava em um vidro com vinagre, conserva. É usado com carnes tanto de porco quanto de bovinos. Caso queira experimentar, aconselho a iniciar com pequena quantidade.

Vinhos Don Franchesco, nossa próxima parada, uma conversa rápida e rumamos para o Vinhos Dallarosa.

Um suco, coisa normal na nossa tarde daquele dia e uma boa conversa. Coisa notadamente encontrada em todas as cantinas. Ótima recepção por parte de todos.

Gruta de São Cristóvão

Na rota do Caminho das Pipas existe a gruta e uma imagem de São Cristóvão incrustado no rochedo. Como existem placas indicativas, é só ficar ligado.

Igreja Nossa Senhora de Caravaggio

Fica bem no centro da comunidade de Boa Esperança. A primeira igreja, de madeira, foi construída pelos marceneiros do local. Hoje, há uma igreja maior, de alvenaria. O sino, que antigamente ficava num campanário, hoje fica no alto da torre da torre.
Vamos em frente, mas antes de seguir para a próxima cantina, uma parada na Cascata das Três Quedas. Localiza-se também na localidade de Boa Esperança. Fácil visualização. Placas indicativas no local.

Vinhos Montemezzo e Vinhos Sbardelotto também integram o roteiro. Durante toda a estrada, íamos encontrando os Capitéis. Os capitéis são oratórios, pequenas capelinhas com um altar, onde está a imagem de um santo. São Roque, Santa Bárbara e Santo Antônio são eles.

Morro Grande

Apesar do tempo nublado, queríamos subir o morro. Em pequeno trecho existe calçamento, pois o grau de inclinação é grande. Exige certo cuidado. O Morro Grande tem uma altitude de 841 metros e é o ponto mais alto de Rolante e conta com luz elétrica caso queiram acampar por lá. A vista é sensacional. Ficamos imaginando como seria a vista se não estive nublado. Lá é realizado no mês de março o Campeonato Gaúcho de Vôo Livre.
Se você fizer este roteiro em uma volta total que termina na cidade de Rolante/RS novamente, tem 45 km. Um circulo e não terá que voltar pelo mesmo caminho.

Mas tem mais:

Cascata das Andorinhas

Amanheceu tempo limpo e logo após aquele cafezão da manhã, nos dirigimos a uma das mais belas cascatas que já visitei. Fica na direção da cidade de Riozinho/RS. Parte asfalto e após chão batido. Parada para matar a sede, em um armazém a moda antiga e pegar informações. Mas já estávamos super perto dela. Fomos o máximo possível nas motos, inclusive pelo meio do mato, por uma trilha. Após, caminhada, apenas 200m. Nosso erro foi não termos levado tênis, pois é necessário atravessar e caminhar um trecho do riacho da cascata. Dica: vá preparado com tênis que possa molhar. Água transparentes e muito verde, demais! A formação das rochas esculpidas pela força das águas a fazem ter uma beleza rara. A Cascata das Andorinhas leva este nome devido à grande quantidade desta ave que habita o local à noite. Imperdível.

Cascata do Chuvisqueiro

Perto da Cascata das Andorinhas (apenas 3,5km) e já em Riozinho/RS. Uma queda d'água de 76m, belíssima, possuindo bar, mini-mercado, local para camping, churrasqueiras, energia elétrica e chuveiros, trilhas e quem curte, rappel. Aproveitamos também para conhecer a parte superior da cascata. O acesso é fácil.

Mas nosso dia ainda tinha muita luz, então resolvemos nos dirigir a mais 02 cascatas. Ficam no lado oposto da cidade, sentido de quem entra.

Cascatas Campinas I e II

Localizadas no Camping Wolf, elas fazem parte da trilha em meio à mata fechada. Uma delas tem 27m de altura e a outra, em torno de 35m. Vá preparado. Nesta trilha usa-se cordas inclusive para se acessar uma das cascatas, tamanho o grau de inclinação da subida. Foram as que encontramos mais dificuldades.

A região é ótima. Camping, pesca e restaurante sob reserva em meio a muito verde e a simpatia dos proprietários. Dica: vá com guia.
Mais um dia.

Cascata da Colônia Monge

Na localidade de Colônia Monge, 13 km do centro, fica mais este atrativo natural, uma cascata que em conjunto com o local, acesso, sombras, cativa. Há possibilidade de camping e trilhas. Esta foi nossa primeira visita. Claro, sempre nestas Trips, uma conversa com os locais é extremamente agradável. Um chimarrão, conhecer melhor a região.

Retornamos, mas como o sol estava belíssimo naquele dia e ainda era 10h30minhs, resolvemos ir ao Morro Grande e curtir o visual, agora com toda a luminosidade. Fizemos o caminho inverso e subimos. Na estrada, parada para um refrigerante e um detalhe de cartaz na parede: “Proibido entrar armado”

A proprietária, uma simpática senhora comentou que há um tempo atrás, tinha uns cidadãos que queriam entrar assim no bar. Huuuhuu.
Realmente, valeu à pena. Para vocês terem idéia, se avista Porto Alegre/RS e outras cidades lá de cima.

Fomos para o “Caminho das Pipas”, pelo lado invertido da primeira vez. Mas já eram 14hs, e bateu aquela fome. Traduzindo, pães, salamitos, queijos e schmiers e geleias de goiaba, pêssego e figo foram o nosso almoço. Demais!

www.savady.com.br
Meus caros, Hotel Savady é a pedida na cidade. Recém inaugurado, excelentes instalações e um ótimo atendimento da Gerente Raquel e toda a sua equipe.

Foram três dias de muita paz, verde, cascatas e boa comida.

Fotos:



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Rio Grande do Sul em Vespa 2011 o evento reunirá apaixonados pelas scooter para uma super aventura.

terça-feira, 1 de março de 2011

O carnaval de 2011 será diferente para um grande grupo de aficionados por scooters clássicas, principalmente Vespas e Lambrettas, do Brasil, Argentina e Uruguai. De 4 a 8 de março acontecerá o “Rio Grande do Sul em Vespa 2011”.

Trata-se de um encontro nacional e internacional de apaixonados por Vespas, Lambrettas e outros chamados “scooters clássicos”, onde os participantes viajam, pilotando suas máquinas, para se encontrar e conhecer novos lugares, nos moldes de encontros similares que há décadas são feitos na Europa.

Este será o segundo encontro feito no Brasil. Em 2010 foi realizado no Paraná (Curitiba em Vespa 2010) com a participação de aproximadamente 50 scooters clássicos de vários modelos e provenientes de vários estados. O encontro deste ano está sendo coordenado pela Confraria Vespa Motor Club (CVMC), com sede em Dois Irmãos. A CVMC tem cerca de 25 participantes, das mais diversas regiões, agregando empresários, comerciantes, funcionários públicos, estudantes, mecânicos, bancários e engenheiros, todos convivendo de forma muito harmônica em torno do tema central: “conviver em Vespa”.

Está confirmada este ano a participação dos seguintes grupos: Vesbretta (RS), Confraria Rio Vespa Clube (RJ), Clube da Lambretta (SC), Curitiba Scooter Club (PR), Vespa Club – Córdoba (ARG), Viajando em Vespa (ARG/URU), Confraria da Lambretta (RS) E Veteran Car Club (Camaquã/RS).


Durante o dia 5 os participantes se reunirão em dois locais: em Osório, para aqueles que vêm dos estados ao norte, e em Pelotas, para os argentinos e uruguaios. A partir daí todos irão para Ivoti, onde haverá um churrasco de confraternização. No dia seguinte, o grupo sairá pela manhã em direção à Gramado, na serra gaúcha, e após o almoço se dirigirá à Canela / Parque do Caracol. O retorno será rumo a São Leopoldo pela Rota Romântica, onde haverá um happy hour de confraternização. No dia 7 o destino será Bento Gonçalves com passeios pelas vinícolas, Maria Fumaça, Região do caminho de pedras e Monte Bello. Na volta, em Novo Hamburgo, uma janta de confraternização encerrará o encontro.

O evento conta ainda com o apoio da Casa de Máquinas, empresa que representa a marca Piaggio/Vespa no Rio Grande do Sul; da Polícia Rodoviária Estadual; da Brigada Militar de Ivoti; dos Hotéis Locanda e Green Park, de Novo Hamburgo; da Bom Jardim Imóveis, de Ivoti; da Autolub Lubrificantes, de Ivoti; e do Bar Heinz Bier, de São Leopoldo.

Outras informações sobre o RGS em vespa 2011, Curitiba em Vespa 2010 e a Confraria Vespa Motor Club, podem ser encontradas em http://confrariavespa.wordpress.com ou através do seu presidente – Fábio Borba (borba.vespa@gmail.com). Em anexo algumas fotos do Curitiba em Vespa 2010, o cartaz e a faixa do RGS em Vespa 2011. O crédito das fotos está no próprio nome do arquivo.

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Robbie Madison em mais uma de suas aventuras, salta o Canal Corinto na Grécia com 95m de altura.

terça-feira, 20 de abril de 2010

RevistaExtreme.com | Robbie Madison em mais uma de suas aventuras.

Depois de ter batido o recorde de distância em salto, conquistando 106 metros no ar, saltado para cima (e para baixo) de uma réplica do Arco do Triunfo na noite de fim de ano em Las Vegas, e feito um “back-flip” na Tower Bridge por cima do Rio Tamisa em Londres, Robbie Maddison conquistou mais uma proeza.

RevistaExtreme.com | Robbie Madison em mais uma de suas aventuras.
Desta feita saltou por cima do Canal Corinto, construído em 1893 na Grécia. Para o conseguir, acelerou a sua Honda CR 500 passando junto a uma piscina, pelo meio de um campo de futebol, por um aviário (passando por superfícies tão distintas como grama, cimento, madeira, asfalto e carpete) para conseguir ganhar a velocidade necessária, 125 km/h, antes de atingir a rampa da Red Bull montada para o efeito.

RevistaExtreme.com | Robbie Madison em mais uma de suas aventuras.
Já por cima do canal, a altura a que “voou” foi de 95 metros e por isso mesmo, para Maddison o mais difícil foi “vencer o medo, essa foi a parte mais difícil! Saltar o canal Corinto está na minha lista de desafios já há algum tempo e eu não consegui resistir em tentar. As consequências que enfrentei neste salto foram as maiores até hoje, por isso o medo foi mesmo o que tive que vencer primeiro. Penso que temos que correr riscos para evoluir na vida e enfrentar este desafio deixou-me pronto para o próximo que terei de enfrentar. Estou muito empolgado por ter conseguido pois, como sabem, só há uma chanse de o conseguir fazer o salto!” disse Madison.

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Aventura de moto rumo ao nordeste. 9500km numa Super Ténéré de São Paulo ao Ceará.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

RevistaExtreme.com | Aventura de moto rumo ao nordeste.

Em julho de 2009, ao regressar de uma viagem de quase 4.000 km em 20 dias pelo sul do Brasil, comecei a planejar a viagem para o Nordeste. O primeiro passo foi arrumar a moto – como a Super Tenere 750 da Yahama de ano 95 não era uma moto tão confiável pelo seu estado de conservação, meses de visitas a vários mecânicos foram extremamente necessário. Começou a juntar dinheiro e marcou a data de saída coincidindo com o início das férias de final de ano. Traçei a rota e fiz contato com integrantes do ClubeXT e ClubeNX (que é administrador), das cidades por onde planejava passar.

No dia 19 de dezembro de 2009, às 5h30, quando o sol nem tinha despontado no céu de São Paulo, parti para minha aventura. Na bagagem, ferramentas, muitos mapas e roupas para 30 dias de viagem, aliás, muitas roupas mesmo, várias nem utilizando.

RevistaExtreme.com | Aventura de moto rumo ao nordeste.
O primeiro objetivo era chegar a Itapipoca antes das festas natalinas, para aproveitar a data com a família. Viajava durante o dia todo – nunca à noite por causa do risco maior de acidentes e assaltos – a moto fazia 17 km por litro, a uma velocidade média de 140 km/h, com pausas curtas para abastecimento, alimentação e para esticar as pernas (e aproveitar para bater fotos).

Na primeira parada dei uma passada na casa do Betão, administrador do ClubeNX que mora em Pouso Alegre, isso bem cedo, para tomar o café da manhã, já há uns 200 km de São Paulo. Depois segui direto para Montes Claros onde o Wagão (ClubeXT) e sua esposa estavam me esperando para levar há um hotel da cidade, isso por volta das 22h.

RevistaExtreme.com | Aventura de moto rumo ao nordeste.
No segundo dia de viagem resolvi mudar todo o roteiro e seguindo conselhos de outros amigos motociclistas peguei pelo interior de Minas Gerais para entrar na Bahia pela Chapada Diamantina, no caminho, ainda umas paradinhas para conversar com alguns amigos que só conhecia pela internet, como o Naldo lá de Janaúba, um cara muito gente fina, e o Tony Ronan da cidade de Brumado.

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Depois de algumas horas nas estradas pelo interior sem passar um mosquito na minha frente, consegui chegar a Andaraí, já dentro da Bahia, na Chapada Diamantina, e procurei abrigo na Pousada Andaraí, por sinal uma das melhores na região. Lá descobri que não conseguiria conhecer a Chapada Diamantina em apenas um dia, então resolvi seguir viagem e tentar chegar ao objetivo, que era Itapipoca no Ceará. No outro dia segui viagem também pelo interior.

De Minas a Pernambuco as estradas estavam muito boas e vazias, o único motivo de atenção eram os animais, próximo à cidade de Afrânio em Pernambuco quase caí da moto quando um porco atravessou a pista na velocidade da luz. A comida e a hospedagem no interior foram muito baratas, gastando uma média de R$50,00 por dia. As paisagens mais marcantes do trajeto são a da Chapada Diamantina (BA) e o Cemitário Gótico que fica cravado nas pedras à beira de uma serra. Depois de Afrânio segui até Picos no Piauí e depois peguei a rodovia BR-020 para ir até Fortaleza.

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De Tauá – CE até Itapipoca encontrei uma estrada muito cheia de buracos, foi a parte mais perigosa da viagem. Mas consegui chegar ao destino dentro do prazo previsto: de São Paulo a Itapipoca foram quatro dias de viagem.

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Passei o Natal em família e continuei a viagem pelo interior do Ceará, visitando alguns amigos em Varjota, Jericoacoara, e até o lugar mais lindo de toda a viagem, a Lagoa do Paraíso (o lugar que tem a cerveja mais cara do Ceará, simplesmente R$ 5,50), Lagoa Tatajuba e Jijoca, lugares fantásticos. Só era preciso estar atento às estradas com muita areia.

RevistaExtreme.com | Aventura de moto rumo ao nordeste.
Uma dica para Jericoacoara é a Churrascaria do Ávila, um motociclista integrante do ClubeXT, o peixe que sua esposa faz é maravilhoso e muito barato. Lá na Churrascaria tive a felicidade de encontrar um grande amigo do ClubeXT de São Paulo, o Xan e sua esposa, que estavam passando as férias por lá, com eles fizemos alguns passeios e como virou nosso jargão “que vidinha mais ou menos...”

No 11º dia de viagem encontrei um amigo de São Paulo, o Fernando, que tínhamos combinado nos encontrar em Itapipoca para fazer a volta juntos. Depois de uma virada de ano na Praia de Iracema meio que desastrosa por não encontrar lugar para ficar, estava tudo lotado, desde pousadas, hotéis, papelão no meio da rua, não tinha nem poste pra encostar a cabeça, fomos passar um dia maravilhoso no Beach Park, um dos melhores parques aquáticos do Brasil, senão o mesmo.

No outro dia já seguimos nosso segundo objetivo da viagem: passar por todos os estados contornando toda a costa nordestina pelas praias.

À beira-mar tanto comida como hospedagem são mais caras, principalmente nas capitais e cidades turísticas. O gasto médio por pessoa varia de R$200 a R$300 por dia. Lugares imperdíveis: Morro Branco, Aracati, Canoa Quebrada, Natal, Genipabu, Maracajaú, Praia de Pipa e Ilha de Itamaracá. Mas só em Natal ficamos cerca de quatro dias, pois tínhamos que esperar um pouco na viagem, para esperar minha esposa, que estava vindo de São Paulo e iríamos encontrá-la em Recife.

Continuando a viagem fomos nos deparar com Olinda em Pernambuco, aliás, para minha supresa, Olinda fica mesmo em Pernambuco e não na Bahia como eu achava(rs), então meio que sem querer e sem estar na programação da viagem, paramos em Olinda e ancoramos também quatro dias, acho que foi o que de melhor aproveitamos em toda a viagem, chegamos bem no final de semana de prévias de carnaval, uma loucura, os blocos na rua, e ainda demos muita sorte em ficar numa pousada bem no centro histórico, a Pousada D’Olinda, que tinha quartos bem coloniais e uma comida muito boa também.

Lá nos encontramos com o Luiz e o Tadeu também do ClubeXT que moravam em Recife, com eles fizemos vários passeios e também nos ajudaram muito quanto a questão das motos, pois precisamos fazer umas revisões e troca de óleo.

Com o Luiz fomos a belíssima Porto de Galinhas (PE), onde a tradição é comer um peixe na telha, maravilhoso! Como a idéia também não era gastar muito escolhia-mos sempre dormir em lugares que não eram pontos turísticos famosos, pois as pousadas eram mais baratas. Em Alagoas, o passeio de barco pelas sete ilhas é uma boa pedida para famílias, principalmente para quem tem crianças.

Um dos momentos mais emocionantes da viagem foi um passeio pela beira do mar para encontrar a foz do rio São Francisco, andamos cerca de 40km entre o mar e as dunas, sem mais nada por perto. Próximo a Salvador também valeu a pena um passeio pela vilinha do Projeto Tamar na Praia do Forte. Na ilha de Itaparica o Fenando resolveu adiantar a viagem e não fazer mais tantas paradas, eu e a Clarissa continuaram seguindo o roteiro. Uma dica de pousada próximo a Angra dos Reis é Arakatu, de um casal de franceses. Comida muito boa e preço bom!

Para quem deseja realizar uma empreitada como esta as dicas mais importantes são: levar pouca bagagem, conhecer bem a moto (na estrada quem tem que resolver os probleminhas que normalmente aparecem é o próprio piloto) e tirar muitas fotos. É uma viagem cansativa, mas que vale a pena.

Chegamos em São Paulo depois de 33 dias de viagem no dia 20 de janeiro, e para dar mais emoção ainda a tudo, na esquina de casa a corrente da moto quebrou, travando a moto de um jeito que só consegui para uns 10 metros depois arrastando pneus. Não tinha o que fazer, como já estava em São Paulo, era procurar o mecânico mais próximo, trocar a relação e terminar os últimos 50 metros até chegar em casa.

Não existe piloto inexperiente, existe piloto medroso, para fazer uma viagem destas basta um pouco de programação quanto ao dinheiro e ter muita disposição para pegar estrada. Responsabilidade e saber o que está fazendo o tempo todo.

Este é apenas um pequeno resumo de toda a viagem, muitas outras histórias estão no meu site pessoal de viagens (www.girico.com.br), lá tem tudo separado dia após dia, com várias fotos.

Um grande abraço a todos e já estamos programando a próxima viagem, onde pretensiosamente queremos dar a volta no continente sul-americano. E ai, quem topa?


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Viagem pela América do Sul de Honda Bis

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

No dia 02/10/2009 quatro amigos apaixonados por motos saíram de Ribeirão Preto/SP para uma aventura pela América do Sul, de Honda Biz. Isso mesmo, aquela motinha de 125 cilindradas que tem aos montes pelas ruas de qualquer cidade.

"Já fiz esse percurso três vezes com motos grande (1000cc) e média (600c). Não foi o suficiente para aquietar minha vontade. Agora volto de moto pequena", diz Silvio Martucci, empresário.

Ele e outros três amigos, também empresários e membros do motoclube Trovão, acabaram de chegar a cidade de La Paz, na Bolívia.

Silvio Martucci, João Clemente, Antônio Valter (o Cobra) e Vagner Coelho, saíram de Ribeirão, passaram por Londrina, Foz do Iguaçu, Paraguai, Norte da Argentina e finalmente chegaram a Bolívia.

"Agora vamos até o Chile, passamos pelo centro da Argentina, subimos para o Uruguai e entramos no Brasil seguindo por Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo e finalmente Ribeirão".

Serão 11 mil quilômetros de viagem, dos quais, até agora, o grupo já rodou 4.700 km. A média é rodar 500 km por dia, o que corresponde a quase um tanque da motinha. É isso mesmo, para a viagem, eles fizeram alterações na moto, para que o bagageiro abaixo do banco virasse mais um reservatório. Com isso a autonomia da Biz subiu para 450 quilômetros.

"Nessa viagem faremos um troca de óleo a cada 2 mil quilômetros e uma de pneu, com 8 mil km".

Quando entrar no Chile, o grupo vai atravessar o deserto do Atacama, como se diz na gíria dos motociclistas, "numa tocada só". "Vamos rodar 890 quilômetros sem parar. Vai ser, talvez, o trecho mais cansativo, pois não tem onde parar nesse deserto".

A velocidade de cruzeiro dos quatro aventureiros, em suas motocas vermelhas, é de 70 km/h. "Se tudo correr bem, dia 5 de novembro estaremos de volta. Em algumas cidades esperamos parar para curtir mais a viagem".

Para passar um mês longe de casa, um bagageiro ajuda a carregar os quase 50 kg de bagagem, entre roupas, remédios e alguma comida. "Como já conhecemos o trecho, já temos nossos pontos de paradas pré-estabelecidos. Sabemos onde vamos comer e dormir".

Serão picos de temperaturas que vão de 30ºC a -8ºC, em lugares próximos ao mar ou no alto das montanhas. "Por isso as motos são todas com injeção eletrônica, para não termos problemas com a altitude".

Para o retorno, além de fotos e histórias para contar, fica a expectativa que Silvio, finalmente, tenha saciado sua vontade de viajar de moto pela América do Sul.

E você já fez uma aventura assim? Tem vontade de participar de uma expedição ou de uma super aventura de moto? Conte sua história pra gente. Deixe um comentário com sua história.

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Viagem ao Santuário dos Aventureiros em Ubirici / SC

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Nosso parceiro de aventuras Jerre Rocha embarcou em mais uma super empreitada e foi desbravar as belezas naturais do Santuário dos Aventureiros em Ubirici / SC, com seus cânions e cachoeiras fantásticas. E o que é melhor a partir de hoje você vai poder acompanhar todas as aventuras do Jerre na nova coluna exclusiva que ele estará escrevendo em nossa revista o espaço se chama “Jerre Aventura”. Alem de acompanhar cada viagem feita por nosso aventureiro colunista, vai descobrir dicas e macetes para viajar mais confortável e seguro, sem falar em um verdadeiro dossiê sobre cada viagem, hotéis, restaurantes, passeios e tudo que é importante para aproveitar ao máximo sua próxima aventura. Vamos deixar de conversa e embarcar com o Jerre nessa super viagem.

O Dia estava começando (quarta feira16-09), previsão de chuva, mas o sol ainda estava conosco neste primeiro momento, mesmo assim pegamos a estrada rumo a Urubici/SC. Neste roteiro quem me acompanhou foi o Marcio 14, do Moto Grupo Bodes do Asfalto de Viamão.
A idéia era ir por Bom Jesus. Seguindo por Taquara/RS, São Francisco de Paula/RS, e já cara deixo um aviso aos amigos estradeiros: Entre São Francisco de Paula/RS e rotula de Tainhas, a pista está com muitos buracos e com partes sendo retirado asfalto antigo e colocando novo. Tem algumas crateras que podem quebrar ou entortar uma roda, mas da para ir com calma.

Na rotula fomos em direção a Caxias/RS, onde após alguns quilômetros fica o acesso a Bom Jesus/RS. Tem um paradouro bem na entrada. Este acesso tem um trecho de 8 km de chão batido, em médio estado. Mas por este roteiro tem ótimos pontos de observação do vale, próximo a Bom Jesus/RS, para após passar pela Ponte do Rio das Antas.
Fizemos uma parada rápida para o almoço, e seguimos em frente. O asfalto a partir daí até Vacaria/RS é uma beleza (região com muitas plantações de maçã) e em seguida rumamos para uma próxima parada no Rio Pelotas, na divisa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.


Abastecimento em Lages, e estrada novamente, mas pela BR-282, em ótimo estado também. Indo pela 282 se acessa Urubici/SC pelo lado oposto da cidade, onde tem um trecho de 24 km pela SC-430 com uma seqüência de curvas direitas e esquerdas que tem que ficar ligado, mas uma beleza para quem curte. Há! A chuva não nos pegou, apenas nublado.

Como fizemos varias paradas para fotos chegamos ao fim do dia, onde já tínhamos reserva no Urubici Park Hotel.

Urubici/SC

Uma cidade que as paisagens são de um calendário, mas com uma diferença, estando lá você não vê o tempo passar, da para denominá-la assim.
Um paraíso do turismo de aventura e eco-turismo no Brasil, com seus cânions, montanhas, cavernas, cachoeiras e rios recortando os vales. Locais para tirolesas, rapel e trilhas não faltam na região.

Urubici/SC inclusive detem o recorde de temperatura negativa no Brasil, 17 graus negativos, a neve bate seu ponto por lá quase anualmente.
Com uma população em torno de 10.500 habitantes, fica a 925 metros acima do nível do mar, e seu ponto mais alto fica a 1828m, o local habitado mais alto do sul do Brasil.
Também conhecida como terra das hortaliças, Urubici é o maior produtor catarinense de hortaliças, com uma produção de 74.000 toneladas anuais. É o segundo maior produtor de trutas do país. Com uma economia baseada na agricultura, pecuária, agropecuária, horticultura, apicultura, piscicultura e a extração vegetal.

Foi este currículo que nos levou a cidade. E começamos cedo na quinta(17-09), às 7hs já estávamos tomando um café da manhã reforçado, nada difícil com as varias opções do hotel.
Vou deixar durante meu relato umas dicas para a turma que curte ir para a estrada e aventura. Usando como referencia o hotel onde nos instalamos (Urubici Park Hotel). Todas estas visitas fizemos sem guia, não há necessidade.

Morro da Igreja

Entrando a direita ao lado do Posto Ipiranga, fica em torno de 18 km do centro, chão batido, mas que está sendo preparado para o asfalto. Obras em quase todo trecho, mas está bom para rodar.


Localizado nos Aparados da Serra Geral, a uma altitude de 1828m do nível do mar, neve por lá é figurinha fácil, sendo que em 1996 foi registrada a temperatura mínima recorde no Brasil, de -17,8ºC negativos no termômetro, e -40º C negativo na sensação térmica. No acesso para o morro é tudo asfaltado, sem problemas, da para ir com qualquer veiculo.

Curiosidade: O porquê deste nome é que ele avistado da Pedra Furada( fica junto no Morro) é que tem o formato de uma igreja.

É onde está o CINDACTA II, do Ministério da Aeronáutica, radar onde é feito o controle do tráfego aéreo do RS e SC. É comum temperaturas baixas, independente da época, lembre ve levar agasalhos, melhor horário para visitação é das 09:00h às 16:00h. Com toda a chuva que andou caindo, uma pequena parte da estrada cedeu. Tinha uma turma do Exército quase no fim do conserto da estrada, mas conseguimos passar.

Pedra Furada

Uma escultura natural no formato de uma janela com uma circunferência em torno de 30 metros, acreditamos que feita pela ação dos ventos. Fica bem nas divisas de três municípios, Orleans, B. Jardim da Serra e Urubici.

Dica: Não fui, mas conversando depois com pessoal do hotel, com um guia é possível fazer uma trilha de 2horas e ir até a Pedra Furada. Acesso extremamente difícil.
A vista lá de cima é sensacional e estes dois pontos turísticos são em conjunto, local para se visitar com calma. Encontramos inclusive um gaúcho de Guaíba por lá (Eder) em visitação com seu primo, que também nos acompanhou em algumas visitas.

Cascata Véu de Noiva

Visitamos no retorno do Morro da Igreja, pois fica na mesma estrada de acesso, mas é particular (R$ 2,00 acesso), com restaurante, tirolesa, etc. Com 62 metros de altura, desce em um paredão com um tom escuro e ondulações suaves, a água escorrendo tem a ver mesmo com um véu de noiva.


Na descida ainda deu para dar uma paradinha para conversar com um pessoal que trabalhava por ali. Detalhe: Já estavam fazendo um belo churrasco no meio das pedras, mas bahh... Já eram 11:30h, retornar e almoçar? Ou tocar direto para a Serra do Corvo Branco? Fomos para a serra.

Serra do Corvo Branco

Fica a 30 km do centro da cidade, e este ultimo trecho estava bem chato, com muitas pedras soltas e alguns trechos com barro pela água acumulada. Nem vou dar maiores detalhes, pois quando chegamos desceu uma cerração que não dava para ver nada.
Frustração, pois queríamos ver o maior corte em rocha feito no Brasil com 90 metros, zebra...
Mas breve terá pavimentação até lá, ai será tranqüilo a ida.
No retorno encontramos uma dupla de legítimos aventureiros, estavam indo em um Chevrolet Corsa rebaixado, apavorados, querendo saber se ainda faltava muito, cada um... rebaixado.

Gruta Nossa Senhora de Lourdes

No retorno ainda passamos na gruta, acesso facílimo. A apenas 12 km do centro. Tem uma queda d’água por sobre a gruta, ficando o altar e as imagens sacras por trás. Estas imagens estão ali desde 1944. Com grandes paredões ao seu redor. Passando pela avenida principal da cidade, seguimos em direção as Inscrições Rupestres.


Inscrições Rupestres

Fica em direção a Cachoeira do Avencal, na estrada que vai para São Joaquim (em torno de 5 km até o local). São inscrições na parede de pedra deixadas por povos que habitaram a região há pelo menos 4.000 anos, considerado um dos mais importantes registros arqueológicos de Santa Catarina. Deve se olhar com atenção para ver os detalhes das inscrições. Do mesmo local se avista a Cachoeira do Avencal, ao longe. Mas já da para ter uma idéia de como é alta.

Cachoeira do Avencal (parte superior)
Mais uns 3 km a frente das Inscrições Rupestres, com placas indicando a entrada, com um pequeno trecho de chão batido. Como é particular, custo do acesso é de R$ 2,00, mas da para ir com o veiculo bem próximo ao cânion onde ela está.

Esta cachoeira tem 100 metros de queda livre, vários pontos para observação, mas com dois pontos construídos (mirante) excelentes para fotos ao lado da cachoeira. E que visual.

Observação: Da para visitá-la pela parte inferior. Enquanto estávamos ali, discutíamos se iríamos ou não lá em baixo, pois tem que fazer uma bela volta para se ir até lá. Nada decidido, mas que ficamos com vontade, a se ficamos.

Já no retorno passamos no Mirante Belvedere, de onde se tem uma visão panorâmica da cidade. Com o tempo já nublado, tiramos algumas fotos, mas interessantes foram quando estávamos saindo da cidade, já no domingo.

E o almoço? Chegamos ao hotel, após um belo banho, ai que fomos resolver este assunto. E da melhor maneira. Como o hotel tem um ótimo restaurante em anexo, fomos comer uma das especialidades da cidade de Urubici/SC. Uma truta, inteira é claro, e para cada um, fora os acompanhamentos. Nada mal para finalizar o dia... Inclusive vou falar delas mais a frente, pois fomos ao criadouro. Era hora de descansar e dormir, pois amanhã a aventura continua...

Amanheceu chovendo, e que chuva... o que nos obrigou a ficar pelo hotel, passando o tempo. Novamente no almoço, truta, desta vez fomos experimentar o filé. Recomendo quem for para a região aproveitar a oportunidade e apreciar. Existem vários restaurantes, hotéis e pousadas na cidade, para todos os estilos de aventureiros. Gastronomia e acomodações não são problema.

Mas ali pelas 16hs a chuva deu uma trégua, e resolvemos sair, apesar das estradas estarem um verdadeiro sabão, de lisa. Tentamos ir ao Morro do Campestre, mas desistimos. Então resolvemos ir a Cachoeira do Avencal, pela parte inferior, a que ficamos discutindo se iríamos no dia anterior. O Marcio 14 já começou a me xingar, aliás, isso é rotina. Que eu sempre coloco ele em fria, pelas dificuldades, mas digo uma coisa: Excelente amigo, parceiro, e basta convidá-lo, já está pronto para a próxima. Como ele disse, ou troca de moto, ou de amigo... hahaha... Nós dois precisamos na realidade trocar de motos.

Mas vamos a Cachoeira do Avencal (parte inferior)

Indo em direção a São Joaquim, logo no começo da subida, na curva, após o término do guard-rail, primeira entrada. Uma estradinha de chão batido, e como os únicos com este tipo de idéia com um tempo daqueles a irem para a cachoeira, ela estava relativamente boa. Passa-se por uma propriedade particular para chegar a ela, costeando um riacho.

Uma curiosidade: Existe ao longo (direita) da estrada de acesso, dentro da propriedade, uma copia de ossada de dinossauro. E já íamos observando que estava descendo muita água lá de cima, mas mesmo assim fomos a uns 100m da base da cachoeira.

Mas vá preparado, pois na trilha existem grandes pedras, lisas, limo. Mas já dava para ouvir o barulho da queda, sem contar que como a mata é fechada, já estava ficando escuro, o que fez nós agilizarmos a visita.
Já na chegada, à direita, existe uma cachoeira, que quando se está na parte superior, no segundo mirante, quase não se observa. Mas com a quantidade de chuva, pela parte inferior, muda a história. Mas a Avencal, com os 100m de queda d’água faziam a diferença, era muita água, muito barulho, muita neblina levantada pela força da água. A pena foi termos que retornar, pois não dava para ir à base dela. Estava muito úmido e escorregadio. Faça esta visita com tempo limpo, vale à pena. Como a previsão era tempo bom para sábado (19/09), já ficamos na expectativa, pois ainda tinha outros pontos turísticos a serem visitados.

Realmente, amanheceu com um belo sol. Já prevendo novamente que seria puxado o dia, um cafezão reforçado. E as 7:30h, já estávamos nos dirigindo para a Caverna do Rio dos Bugres, que fica a uns 11km da cidade. Ainda estava muito liso o chão, pelas obras e chuva do dia anterior, e para piorar, acabamos passando do ponto da entrada para a caverna, pois a placa de indicação estava um pouco escondida, pela obra ela virou. Mas como tudo estava excelente até aquele momento, tinha que acontecer alguma coisa.
Em um trecho liso, a moto saiu de trazeira, apesar de estarmos devagar, e lá fui eu ao chão.
E extremante ferido... O orgulho na verdade... A moto somente o manete e o retrovisor, Nada que impedisse a continuação, e aturar as risadas do Marcio 14.

Caverna do Rio dos Bugres

Estrada pelo meio dos morros, quase sempre ao longo do rio. Fica em uma propriedade particular, mas não nos cobraram acesso. O ultimo trecho, com uns 300m, fica em uma inclinação, que com chuva faz os veículos não consigam ir, a não ser 4x4, mas estando seco, você vai até a entrada da caverna. As motos foram tranqüilas. Se não, deixe o carro ou moto na porteira na entrada. Só preste atenção, pois as entradas da caverna ficam escondidas.

É uma caverna feita pelos homens para se abrigar do frio. No caso, índios cavaram cinco aberturas pequenas e estreitas (fizeram uma pequena galeria) como corredores que levam a uma sala central, esta caverna dava segurança a eles com várias rotas de fuga, se fosse necessário.

Não esqueça de levar lanternas, a escuridão é total lá dentro. Mas como eu tinha tirado a lanterna da moto quando cheguei na noite anterior no hotel e esqueci de pegar novamente, zebra. Solução: Festival de flashes das maquinas fotográficas, e fomos indo, cuidado em alguns trechos, ela é muito baixa. Retornamos e fomos direto para o Morro do Campestre, fica em direção a Rio Rufino e Urupema, uns 8 km de chão batido.

Morro do Campestre

Tem placas indicando, fácil de achar. O acesso custa R$ 2,00. Tem que se ligar na subida. A estrada é chão batido, e com chuva, esqueça a idéia de subir de moto ou carro pois é muito inclinada e estreita. Melhor deixar lá em baixo na entrada. No mais é fácil.
O morro é outro ponto alto da região, com 1400m do nível do mar e ótima visibilidade do Rio Canoas, sem contar que avistamos até cachoeiras lá de cima.
Lá no topo, existem os chamados Arcos, e ainda existem sinais da arte rupestre, descontados as ações das pessoas tentando deixar marcas lá em cima.
Uma dica para caso alguém se hospede no mesmo hotel que nós. Existe na recepção um livro, com detalhes e fotos sobre o Morro e outros pontos de Urubici/SC, mas que nos leva a crer que não foi simplesmente a força dos ventos e erosão que fizeram aquela obra na natureza.

Retornamos ao centro da cidade, e desta vez foi possível almoçar. Uma visita fácil, com uma conotação religiosa, seria a Igreja Matriz Nossa Senhora Mãe dos Homens, bem no centro da cidade. Estilo gótico, em formato de cruz, é outra obra que foi idealizada pelo Padre José Alberto Gonçalves Espínola. Os restos mortais do padre estão sepultados em seu interior. Observando ela do Belvedere em uma das entradas da cidade, da para ver toda sua grandiosidade.

Criadouro Truta Azul

A tarde fomos fazer uma visita ao criadouro do biólogo Hélio Antunes de Souza. Fica próximo ao centro, uns 3 km, tem placas indicando. Ele é um dos pioneiros na introdução da truta em Santa Catarina, e estuda a truta azul desde 1977. É uma truta diferenciada, que chama a atenção pela beleza da cor, é criada em tanques em sua propriedade rural. A truta azul é uma linhagem rara da espécie arco-íris, que identifica esse tipo de peixe pelas cores marrom, dourada e albina.

Com seus estudos ele conseguiu reverter a criação, ela é estéril, pois a cada 100 mil alevinos surge apenas uma truta azul. No total acredito que ele tenha entorno de 120 tanques de criação. O acesso custa R$ 2,00, e tem acompanhamento e explicações de todo o processo da criação.

Um breve histórico da truta: A truta é originária da região da Serra da Nevada, nos Estados Unidos e chegando ao Brasil em 1949 com a importação de alevinos vindos da Dinamarca.
O Sr. Hélio Antunes de Souza é um dos maiores criadores do Sul. Ele montou um frigorífico onde abate as trutas para atender revendedores do país e restaurantes da região.

Com esta visita terminamos o roteiro por Urubici/SC, mas á muito mais a ser visitado. Possui em torno de 80 cachoeiras e muitas cavernas, o que se faz necessário um bom tempo para a visitação, fizemos praticamente o básico, o restante seria necessário à ajuda de um guia.

Aos amigos, entenderam agora por que coloquei o titulo de Santuário dos Aventureiros para a cidade?

Mais fotos:



Onde ficar e comer

Urubici Park Hotel

- apartamentos com calefação
- TV com parabólica
- café da manhã de excelente qualidade
- salão de jogos
- piscina térmica
- estacionamento gratuito
- salão de eventos com capacidade para 100 pessoas
- salão fogo de chão (restaurante opcional para 170 pessoas)
- sala de estar com TV, vídeo e dvd.

Fone: (49) 3278-5300
E mail: urubiciparkhotel@uol.com.br

Localizado na Avenida Adolfo Konder, 2278, a principal avenida da cidade. O atendimento é excelente, tendo alguns aptos especiais para quem faz esportes radicais e retorna das aventuras com vários equipamentos. Quem fez algumas reuniões por lá foi o pessoal do XT600. Ali do hotel mesmo já recebes um roteiro de visitação.
Existe em anexo o restaurante, com variado cardápio, e com aquela truta que tanto falei. Vou salientar que ele fica aberto direto, almoço, jantares, os sete dias da semana. Estou comentando por que como é cidade pequena, pode acontecer de ficar sem local para as refeições determinados dias e horários, ele vai até às 23hs. Mais uma. Experimentei um mousse de maracujá e limão que é simplesmente demais...

Amanhã pegamos a estrada novamente, para o retorno.

Urubici/SC-Porto Alegre/RS-460 km

Começamos o dia as 6:30h, para variar, com aquele cafezão. Carregar as mochilas nas motos e. muito frio, 2º graus. É uma coisa que vou comentar, a temperatura oscilou entre 10° e 21° enquanto estivemos por lá, mas domingo ficou nos 2° graus. E logo no dia da volta. Mas estava um sol de primeira, o que foi ótimo, pois retornamos por Bom Jardim da Serra. Quando estávamos chegando à cidade, resolvi dar uma parada na casa do Mike, amizade feita nas estradas. Recebeu-nos com um belo chocolate quente, e após um belo bate papo voltamos para a estrada, pois queríamos aproveitar a Serra do Rio do Rastro.

Serra do Rio do Rastro/SC

Sensacional, mais uma vez na serra, e vale a pena. Bastante gente aproveitando, muitos subindo e descendo, motocicletas de varias cilindradas, de uma Honda Titan 125 a uma BMW K 1200 Adventure. Apesar de já ter estado varias vezes na serra, ainda não consegui pegar ela a noite sem neblina. Estrada novamente, e fomos fazer um lanche em Içara/SC.

Mais uma dica aqui: Atravessar Criciúma com suas varias sinaleiras e paradas não é dos mais agradáveis, então uma é sair ou entrar por Içara. Direto e mais perto, praticamente sem paradas. Fim de tarde batendo o ponto por casa, com 1000 km rodados em asfalto e 186 km em estrada de terra. Os verdadeiros viajantes são aqueles que, sem saber para onde, quando ou por quê, dizem sempre: VAMOS! "Baudelaire"

Texto/Fotos: Jerre Rocha e Marcos

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Flávio Kenup - A lenda viva do motociclismo viajou do Rio de Janeiro ao Alaska numa Traxx 110cc passando por 14 países.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Um motociclista desse, depois de tal mega realização (que é complicada, até para nós motociclistas estradeiros acreditarmos), deveria ganhar 3 estátuas feitas de mármore "dele montado na moto" com direito a placa de cobre relatando o feito e as 14 bandeirinhas dos países que ele cruzou. Uma para ser colocada na praça da Sé em São Paulo, outra na área térrea que existe antes de subir as escadas ou o elevador para ver o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, e outra na praça do Papa, no nobre bairro das mangabeiras na capital mineira, Belo Horizonte. Até para quem não é motociclista, esse feito é incrível e faz a gente pensar a respeito. Chama à atenção de qualquer pessoa. E é um marco feito por um brasileiro.

Conheço muitos motociclistas veteranos, pessoas que rodam em motos de altas cilindradas, mas que ainda não fizeram, nem de longe, o que o Flávio realizou. Tem que ser muito motociclista para fazer o que o Flávio fez e ter um espírito aventureiro e tanto. Se dedicar a todo um planejamento e organização, providenciar meses à disposição do projeto, e ter muita, mas muita determinação pessoal, além de ser um apaixonado por moto turismo.

Leia a entrevista e surpreenda-se ainda mais.

Flávio, como tudo começou e porque fazer uma mega-viagem dessa, pilotando uma moto de baixa cilindrada?

Já tinha uma experiência anterior, realizada em 2005, quando fui para a Patâgônia (Argentina) pilotando uma Honda Biz. Gostei tanto de tal viagem que na ocasião já decidi em fazer outra para o Alasca. Gosto mesmo é de viajar e conhecer novos lugares. Não tenho grana para viajar de avião ou navio.

É totalmente diferente rodar com moto de baixa cilindrada. As pessoas nos recebem de outra maneira. Eu curto mais viajar de moto de baixa cilindrada, porque você é obrigado a rodar em baixa velocidade e vê mais as paisagens. É menos estressante para mim. No mais é preciso tomar muito cuidado ao se viajar com motos pequenas, porque elas são mais frágeis.


Como foi planejar uma viagem dessas, com mais de 57.000km?

Olha, é difícil se planejar tudo. Uns 80% da rota eu estudei e planejei. Mas no caminho a gente muda ou sofre desafios não esperados. Em meu planejamento refleti muito sobre o quesito "solidão" que passei nessa viagem, por ter ído sozinho.

Fiz junto com engenheiros da Traxx todo um estudo sobre a mecânica da moto, as manutenções que precisariam ser realizadas durante a viagem e as quais eu mesmo fiz.

Decidi também acampar o máximo (para redução de custos) e para ficar mais no clima da aventura, não sair do quente (hotel) e ir para o gelado, porque assim ficamos mais acostumados ao ambiente o que facilita a mantermos o ritmo da viagem e não adoecermos. Levei barraca de camping, saco de dormir e fogareiro.

Como foi o seu percurso até o Alasca, saindo de Teresópolis/RJ?

1ª Etapa - ída

América do Sul

Brasil: Teresópolis, Sorocaba, Campo Grande e Corumbá;

Bolívia: Santa Cruz e La Paz.

Peru: Juliaca, Cuzco, Lima e Piura.

Equador: Guayaquil e Quito.

Colômbia: Cali, Medellín e Cartagenas.

América Central: Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador e Guatemala;

2ª Etapa

América do Norte

México: Mapastepec, Cuernavaca e Albuquerque;

EUA: Grand Canyon, Las Vegas, Los Angeles e Oregon.

Canadá: Vancouver e Whitehorse.

Alasca (EUA): Anchorage, Fairbanks, Cold Foot e Prudhoe Bay.

3ª Etapa - volta

América do Norte

Canadá: Slana, Whitehorse, Dawson Creek, North Battle Ford, Winnipeg, Quebec e Newfoundland.

EUA: Boston, New York e New Orleans.

México: Monterrey, Cidade do México e Mapastepec.

América Central

Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e Panamá.

4ª Etapa

América Sul

Colômbia, Barranquillas, Venezuela, Caracas e Tumeremo.
Brasil - Boa Vista, Manaus, Belém, Fortaleza e Teresópolis.

E como foi sua viagem até sair da América Latina e cruzar a América Central?

Sai do Brasil pelo Mato Grosso. Em Corumba peguei o trem até Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) e ai subi a carreteira (estrada antiga de terra batida) até Cochabamba (Bolívia).

Gostei muito da Bolívia, me acolheram muito bem. É um país pobre, mas eu adorei a receptividade. Fiquei 5 dias doente devido a altitude, fui cuidado por uma senhora camponesa. Numa casa de barro. Num vilarejo, parei para tomar um café, ai ela (camponesa) me deu um mate de coca, viu que eu estava ruim, disse que estava assim devido a altitude, me informou que o hotel mais próximo ficava há 150/180km. Há mais de 4000 metros de altitude seria impossível, do jeito que eu estava, chegar até lá. Ai fiquei na casa dela. Ela me cedeu um quarto (que era do filho), com bastante cobertor. Fiquei muito ruim, com febre alta. A camponesa queria falar com minha familia, mas resolvi não avisar. A dor de cabeça é incrível, não conseguimos nem "escutar nossos pensamentos", só mesmo na Bolívia há mais de 4000 metros de altitude para sentir uma dor assim.

No planejamento da viagem eu imaginava que isso pudesse ocorrer, mas eu não tinha como evitar, precisar passar pela Bolívia (país que não conhecia).

No 5o. dia, fiquei melhor e resolvi ir embora, bem cedo, sem falar com a Camponesa, porque eu sabia que ela não de deixaria sair. Fui embora e deixei um dinheiro para ela (tipo uns R$ 50 que é muito naquela região, é um bom dinheiro para eles). Logo na próxima cidade, voltei a piorar, fiquei "baleado de novo". Não dava para ficar 100%, esperar mais. Precisava seguir viagem.

Da cidade de Cartagena/Colômbia, peguei um barco, 5 dias de viagem, até a cidade de Porto Mel no Panamá. Um "veleiro de 5 pessoas". Escolhi ir por barco, ao invés de avião, devido aos custos e por ser mais emocionante.

Chegou no Panamá e iniciou sua rota na América Central, conte-nos um pouco sobre essa fase da viagem.

O maior país da américa central tem 600km de extensão. Na primeira barreira me disseram que eu não precisa de permissão para entrar com a minha moto, mas na 3a. barreira os policiais disseram que precisava. Era dia de jogo de futebol, Brasil e México, onde o Brasil goleou, por isso me lembro direitinho desse dia e tive que dormir na delegacia por 2 noites, aguardando a chegada do oficial que
iria estipular o valor da minha multa, por não ter a "permissão para a moto". A multa primeiro foi de US$ 100, mas disse que não tinha tal valor e caiu para US$50. Bom, atravessei para a Costa Rica. Sofri um acidente numa descida, mas graças a Deus não aconteceu nada nem com a moto, nem comigo. No Panamá e Costa Rica é preciso dar entrada e saída (carimbo no passaporte). As aduanas dos países da América Central, faz com que perdemos em média 3 horas de processos.


Costa Rica é um país muito bonito, mas está sendo controlado pelos americanos. El Salvador é bem pequenininho, o exército está nas Ruas, mas está seguro. Nicarágua é o país mais pobre da América Central. Na Guatemala tem bastante indígena e muitos fogem para trabalhar no México em troca de sacos de arroz. Enquanto os Mexicanos querem ir para os Estados Unidos. Uns querendo entrar para o 1o. mundo e outros para o 3o. mundo.

Depois de cruzar a América Central, entrou no México...

Eu segui pelo meio do México. Visitei umas das 7 maravilhas do mundo, umas pirâmides, que não me lembro agora dos nomes. Pirâmides do tamanho de um prédio de 30 andares.

Senti no povo mexicano o mesmo calor humano que temos no povo brasileiro. A cultura do México é riquíssima, exclusiva.

No México estava muito quente, paisagens com pouca vegetação, quase um deserto. No meio do México fazia uns 45o graus. No México o abastecimento de combustível é mais complicado, os postos são mais distantes.

Do México, entrei na fronteira do Novo México com o Texas, na cidade de El Paso. Fiz esse roteiro para eu poder visitar o Grand Canyon.


Finalmente nos Estados Unidos. Agora a viagem ficou mais fácil né, tem-se mais infra-estrutura nesse país?

Mais fácil nada, nos EUA só tinha a minha moto de baixa cilindrada (risos). As estradas highway por lá tem-se veículos trafegando em alta velocidade, eu me senti um "estranho no ninho". E os americanos não acreditavam que eu estava realizando a viagem do RJ até o Alasca. Os americanos consideravam incrível eu estar fazendo a viagem com a minha moto, cheguei a receber doações de vários americanos, uma vez ganhei US$ 200, e ganhava direto combustível nos EUA, que americanos que me conheciam na hora pagavam.

Entrei nos EUA pela cidade de EL PASO. A Fronteira dos EUA é totalmente diferente. Super profissional e segura. Coisa de 1o. mundo, claro! E fronteira com o México não é brincadeira (risos)!

Quando entrei nos EUA, comprei um notebook usado, porque precisava atualizar meu site - www.aventuraemduasrodas.com.br e o site da Traxx. Com fotos e textos, além de falar com a minha família todo dia pela Internet.

Nos Eua visitei Las Vegas por 6 dias, tinha um amigo lá que me conheceu durante a viagem numa revista online de moto, fez contato comigo e me convidou para ficar na casa dele por 6 dias. Las Vegas é uma cidade pequena, mas é uma cidade exclusiva, única e extraordinária.


Visitei também o Grand Canyon, que é demais! Você fica paralisado vendo os canyons com mais de 400 metros de altura. Fiquei dois dias por lá, dormindo em Camping. Nos EUA tem muitos campings, americano tem a cultura de acampampamento e motor-homes. Tem Campings privados e do governo, os privados custavam em média US$ 15 e os do governos uns US$3.

A gente acha que o americano anda com o "nariz em pé" e tal, que é metido. Mas não é nada disso. No Brasil é que desconfiamos um do outro. Por lá, se eles vêem que você está fazendo uma mega-viagem, eles valorizam, te admiram e o ajudam, sempre. Os gestos dos americanos me fizeram mudar a imagem que eu tinha dessa linda nação. É aquele negócio, conhecer e vivenciar e muito diferente de ler em livros e ver na TV.

Depois Canadá e Alasca...

No Canadá só acampei e nunca comi em restaurantes (muito caro). Eu jantava bem e tomava um bom café da manhã. Cheguei a acampar várias vezes em gramados de casas particulares. E muitas vezes eu
ganhava jantar, café da manhã, etc.

As estradas no Alasca são muito boas e diferente das estradas nos EUA, não vemos muitas placas "proibitivas", tais como: não se pode comer em determinado local, ficar em outro depois de um certo horário, etc.

O povo canadense me recebeu muito bem também.

No Alasca, para cruzar do oeste para o leste, são uns 800km, e metade em estrada de Rípio (terra com pedras), como na Patagônia
Argentina, mas sem o "vento patagônico" (quem conhece, sabe o que é). E é preciso ter cuidado com Ursos. Cruzei o Alasca, saindo da cidade de Fairbanks até a cidade de "Prudhoe bay" que é um pouco maior que uma rua e a economia gira em torno da exploração de petróleo. E ai voltei para Fairbanks, porque não dava para descer para o Canadá da cidade de Prudhoe Bay. É maginifico a beleza da natureza e paisagens no Alasca. Não tem asfalto, não tem cerca, não tem nada. De vez em quando passava um caminhão pipa (de água) para molhar a terra. Só natureza. Eu passei 12 dias dentro do Alasca, conheci indígenas que vivem do artesanato e da pesca, povo super hospitaleiro. No Alasca, só aparecem viajantes.

E ai, desceu e voltou da sua viagem ao Alasca (bem resumido, vamos abordar alguns pontos):

Atravessei o Canadá na volta, até Quebec em 35 dias. Foi uma viagem de 7500/8000km. Quebec praticamente só se fala Francês, o estado já quis ser emancipado do Canadá.

Na volta estive em Nova York, uma cidade louca e estressante. Mas eu estive por lá como turista, passei pelo bairro do Queens, Ilha de Manhattan, vi a estátua da liberdade, a área do World Trade Center, e muitos prédios. Mas confesso que gostei mais de conhecer a capital americana Washington.

Ao chegar no Brasil, de Belém/PA até Teresópolis/RJ, eu passei por 37 revendas da Traxx. Fora a fábrica que fica em Manaus/AM.

Algumas curiosidades e outras informações ditas pelo Flávio Kenup nessa entrevista:

- Segurança nos países da América Latina: nunca me senti ameaçado. Agora, confesso que eu fiquei com medo foi dos Policiais no norte do Peru, me senti ameaçado por policiais que sempre arrumavam algum problema na minha moto, e ai, eu tinha que dar dinheiro para prosseguir viagem;

- É preciso carteira internacional de vacina;

- A viagem do Flávio Kenup, levou 8 meses e meio, entre a ida e volta;

- México / EUA / Canadá (já sai com visto do Brasil - normal de turista, com entrada e saída em qualquer hora);

- América central não precisa de vistos para nós brasileiros;

- Moeda: dólar troca pelas moedas dos países. Cheguei a trocar moedas com viajantes de bicicletas. Se encontram muitos ciclistas nas estradas da América Central;

- Não senti os países da América Central pobres;

- Eu coleciono placas de veículos. Obtive em todos os países que passei;

- Não tem essa de atravessar o Canal do Panáma, como ouvimos falar, a não ser que se alugue um Containner, o que é caríssimo. Ou voce atravessa o mar do Cáribe, ou um outro que tem lá;

- As mulheres colombianas são lindas, super simpáticas;

- Eu sempre andava com um pacote de macarrão, um pacote de feijão, pão, barra de proteínas, água - o básico, do básico ao menos (pão e água);

- Levei 60kg de bagagem;

- Rodei entre 60km e 70km/h. Tinha autonomia de mais de 250km para reabastecer (com os tanques reservas que fiz na moto);

- Não tive problemas de abastecimento, segurança, de nada disso. Basta viajar com "espírito de viajante";

- Com tudo na viagem eu gastei só R$ 20 mil;

- Fui patrocinado pela Traxx, Prefeitura de Teresópolis, pelo empresário Sergio Bufaro, pela empresa Trilhas e Rumos e apoio da minha família;

- Fui pela costa do pacífico e voltei pela do atlântico;

- O único problema que deu na Traxx Sky 110cc, só quebrou o cabo do velocímetro, eu tinha um sobressalente e o troquei. Fiz um teste na moto antes de fazer essa viagem, rodei uns 740km em um dia. Utilizei 4 pneus traseiros e 2 dianteiros. Levei correia, coroa e pinhão. A coroa e o pinhão da Traxx não quebram nunca! A moto utilizou 15 gasolinas diferentes pelos países que passei, rodou no calor excessivo e no inverno rigoroso. A moto se comportou muito bem. Fiz revisão durante toda viagem, eu mesmo fazia a revisão e manutenção.

- " Tudo na vida é perigoso, até atravessar a Rua, o que temos que fazer é conhecer o que o mundo tem para nos mostrar.";

- Tem umas 1300 fotos que eu tirei na viagem toda. Vou fazer um livro com as fotos e um material muito legal (vide site www.aventuraemduasrodas.com.br);

- Eu peguei muita chuva na América do Sul, Central, América do Norte... mas eu já estava rodando devagar, então não afetou muito. Colocava a capa de chuva e pronto;

- No méxico a gastronomia é bastante apimentada. As praias mexicanas são lindas;

- Na volta, ao chegar no Brasil, de Belém/PA até Teresópolis/RJ, eu passei por 37 revendas da Traxx. Fora a fábrica que fica em Manaus/AM;

- Foi usado um rastreador na moto, onde por toda a viagem (ida e volta) ele mostrava via Internet, onde eu estava, se estava parado ou andando e tudo mais. Funcionava até via Google Earth. Esse equipamento foi muito útil no sentido de localização real-time do meu percurso, acessível via Internet.

- Na América do Sul, só ainda não viajei para o Deserto do Atacama, que quero fazê-lo, no mais, agora tem também a Europa, Ásia, África e Oceania!



Entrevista feita por: Policarpo Jr. / São Paulo - SP

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